Bem Vindo!

"Este blog nasceu como requisito da matéria de Seminário de Integração I, ministrada pelo professor Felipe Aço. O objetivo do blog é o de levar à público nossas experiências e elaborações em sala de aula, tornando assim, possível a interação e integração dos grupos, aflorando ideias e pontos de vista que muitas vezes não se manifestam em sala de aula".
Somos estudantes do 5º semestre do curso de Psicologia, com faixas etárias distintas. Acreditamos que os nossos caminhos não se cruzaram por acaso. Aprendemos muito uma com a outra e o convívio diário nos leva a uma leitura da realidade, a qual compartilhamos e nos induz a sairmos da zona de conforto, de forma desafiadora, e é nesse momento que também surgem divergências para as quais tentamos encontrar um equilíbrio e colocar em prática a constante aprendizagem integrando de certa forma as nossas vidas.

terça-feira, 7 de junho de 2011


“ATENDIMENTO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS”
A apresentação deste tema despertou grande interesse e conscientizou-nos quanto as posturas e procedimentos em relação a este tipo de deficiência. Percebemos que o grupo tentou desmistificar a questão das “diferenças” dentro do contexto social. Procuramos nos inteirar e buscar algum conhecimento a mais sobre a forma como a sociedade em geral se posiciona, principalmente num contexto empresarial, onde atuam profissionais com este tipo de deficiência. Tentamos analisar e identificar a comunicação entre o paciente surdo e o cliente, pensamos no relacionamento do profissional da saúde e no ambiente de convívio social dos surdos. Na categoria comunicação, com certeza, existem barreiras, mas com o intuito de disponibilidade e paciência, acreditamos ser possível interagir através de gestos, pois estes pacientes passam a ter facilidade de fazerem a leitura labial e entenderem aquilo que está sendo emitido pelas pessoas. Ressaltamos também a necessidade de formação sobre o paciente surdo, pois este certamente encontra inúmeras barreiras para se engajar dentro do contexto determinado como “pessoas normais”. Acreditamos que existe pouco suporte dos órgãos competentes para dar a necessária assistência. Conviver com “diferentes” é o desafio de cada dia, e com “diferentes deficientes” o desafio é maior, pois exige “abertura” e “dedicação”. Nosso propósito é uma maior percepção, a partir deste momento, para com pessoas com esta deficiência.
“ESQUIZOFRENIA”

Optamos por deixar, uma síntese do nosso trabalho!

O QUE É ESQUIZOFRENIA
A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. É uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização de diversos processos mentais, levando o portador a apresentar vários sintomas.

SINTOMAS POSITIVOS
Delírios

SINTOMAS NEGATIVOS
Perda ou diminuição das capacidades mentais, com déficit da
— ideias delirantes, pensamentos irreais, ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo como as perseguições; as alucinações, percepções irreais – ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequente as alucinações auditivo-visuais; pensamento e discurso desorganizados ou invenção de palavras; alterações do comportamento, ansiedade, impulsos ou agressividade. motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais, como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social; apatia; indiferença emocional; pobreza do pensamento, inversão do ciclo de sono, isolamento, perda de interesse por atividades anteriormente agradáveis, apatia, descuido com a higiene pessoal, ideias bizarras, comportamentos poucos habituais, dificuldades escolares e profissionais, entre outras.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico se baseia exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam, em geral, por distorções características do pensamento, da percepção e por inadequação dos afetos. Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade intelectual.

CAUSAS
Não se sabe quais são as causas específicas da esquizofrenia.

ESTATÍSTICA
Sua frequência na população em geral é de 3 para cada 100 pessoas, havendo cerca de 50 novos casos para cada 100.000 habitantes por ano. Considerando a população de 191 milhões existentes no Brasil estima-se que há cerca de 1,6 milhões de esquizofrênicos; e, também, que, a cada ano, 80 mil brasileiros manifestarão a doença pela primeira vez. Ela atinge em igual proporção homens e mulheres e em geral inicia-se mais cedo no homem, por volta dos 20-25 anos de idade, e na mulher, por volta dos 25-30 anos. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos.
As possíveis causas são o ambiente histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; e mais recentemente, tem-se admitido a possibilidade de uso de substâncias psicoativas que podem ser responsáveis pelo desencadeamento de surtos e afloração de quadros psicóticos. A hereditariedade tem uma importância relativa, sabe-se que parentes de primeiro grau de um esquizofrênico têm chance maior de desenvolver a doença do que as pessoas em geral.

TIPOS DE ESQUIZOFRENIA
De acordo com o DSM, existem 5 tipos de Esquizofrenia: 1.Esquizofrenia Paranóide: Predominam sintomas positivos como alucinações e enganos, com uma relativa preservação do funcionamento cognitivo e do afeto.2.Esquizofrenia Desorganizada: Discurso desorganizado e sintomas negativos como comportamento desorganizado e achatamento emocional. Os aspectos associados incluem trejeitos faciais, maneirismos e outras estranhezas do comportamento.3.Esquizofrenia Catatônica: Os principais sintomas são a atividade motora excessiva, extremo negativismo, mutismo, cataplexia (paralisia corporal momentânea), ecolalia (repetição patológica) e ecopraxia (imitação repetitiva dos movimentos de outra pessoa). Existem riscos potenciais de desnutrição, exaustão, hiperpirexia ou ferimentos auto-infligidos. 4.Esquizofrenia Indiferenciada: Se encaixa nos sintomas de esquizofrenia, mas não satisfaz nenhum dos tipos citados anteriormente.5.Esquizofrenia Residual: As condições para este tipo de esquizofrenia são: ausência de delírios, alucinações e comportamento amplamente desorganizado ou catatônico proeminentes; existência de evidências contínuas da perturbação.

CUIDADOS ESPECIAIS
1.Se achar que a medicação não está a ajudar ou sentir efeitos não desejáveis deve avisar o seu médico psiquiatra;
2.Fazer psicoterapia e ter consultas regulares com seu psicólogo;
3.Ter o cuidado de conservar um ritmo de
sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias;
4.Evitar o
stress;
5.Deve manter rotinas normais de higiene, alimentação, atividades físicas e de lazer;
6.Evitar substâncias psicoativas que possam interferir prejudicialmente no tratamento - como álcool e outras drogas;
7.Procurar ter horas para dormir, comer, trabalhar - ou seja, criar rotinas;
8.Permanecer em contato com as outras pessoas, não buscar o isolamento;
9.Manter o contato com o
psiquiatra, psicólogo e a equipe de saúde mental;
10.Praticar desporto pelo menos uma vez por semana.

TEORIAS
A Teoria
As Teorias
As Teorias Psicanalíticas (ou de relação precoce) têm como base a teoria
As Teorias Familiares, assim como a abordagem psicanalítica, outras abordagens responsabilizam a família, mas apesar de terem bastante impacto histórico tiveram pouco embasamento empírico para essas afirmações.
A Teoria dos Neurotransmissores têm-se um excesso de dopamina na via mesolímbica e falta dopamina na via mesocortical.
Genética admite que genes “podem” estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o desencadear do transtorno.Neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial com uma disfunção dopaminérgica, embora alterações noutros neurotransmissores estejam também envolvidas.freudiana da psicanálise, e remetem para a fase oral do desenvolvimento psicológico.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
De maneira geral o tratamento é realizado em consultório. Internação hospitalar pode ser necessária em situações em que há presença de riscos (agressão, suicídio, exposição moral). O tratamento é feito com medicação antipsicótica e psicoterapia.

ALGUNS BENEFÍCIOS DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
1. Elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo.
2. Elimina as crenças estranhas e falsas (delírios).
3. Diminui a tensão e agitação.
4. Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor.
5. Reduz os medos, a confusão e a insônia.
6. Ajuda a falar de forma coerente.
7. Ajuda a sentir-se mais feliz, mais expansivo e mais sadio.
8. Ajuda a se comportar de forma mais apropriada.
9. Os pensamentos hostis, estranhos ou agressivos desaparecem.
10.Diminuem recidivas e necessidade de internação hospitalar.

A ESQUIZOFRENIA NO CINEMA
Encontramos sete filmes que ilustram e possibilitam discussões sobre a esquizofrenia: Estamira; Uma mente Brilhante; Visões de um crime; Spider, desafie sua mente; Benny & Joon, Corações em Conflito; Jornada da Alma e Cisne Negro, no qual nos detemos, tendo em vista que é o mais recente.

CONCLUSÃO
Portanto, conviver com um portador de esquizofrenia é “uma surpresa a cada dia”, o que exige adaptação e encontrar “maneiras” de orientar, interagir e conduzir, preservando o contato com a realidade, restaurando a capacidade do cuidado de si, diminuindo o isolamento, aumentando suas defesas diante de situações estressantes, estimulando a independência e a capacidade do paciente diante das atividades diárias. Enfim, recuperando e promovendo a auto-estima, a auto-imagem e a autoconfiança, proporcionando enfim, contínuo progresso.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Aula do dia 02.05.11

O QUE É LOGOTERAPIA?

É um sistema teórico e prático de psicologia, criado pelo médico vienense Viktor Emil Frankl (1905-1997). Segundo Allport, "trata-se do movimento mais importante de nossos dias". A Logoterapia - Análise Existencial é conhecida como a terceira Escola Vienense de Psicoterapia, sendo a Psicanálise Freudiana, a primeira, e a Psicologia Individual de Adler, a segunda. É uma linha existencial- humanística e busca, a partir de sua antropologia, superar o psicologismo reducionista de outras linhas. "Para a Logoterapia, a busca do sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano. A Logoterapia é considerada e desenhada como uma terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido. Não pretende suplantar a psicoterapia vigente, mas complementá-la e completar também o conceito de ser humano mais indispensável às ciências do homem do que o método e técnicas corretos". A Logoterapia busca "restituir a imagem do homem superando reducionismos. Faz uma proposta que não se limita à Psicologia, mas abrange todas as áreas da atividade humana, e busca resgatar aquilo que é especificamente humano na pessoa".

TEXTO REFLEXIVO SOBRE LOGOTERAPIA

“Até que ponto sou livre?” pergunta o homem ao seu Criador.
“Não posso despojar-me do meu corpo, não posso renegar minhas origens, não posso fugir do meu ambiente, não posso escapar do meu tempo.”
“Tu não és livre de tuas condições, responde Ele, porém, tu és livre para te posicionares diante de teus condicionamentos, e isto é muito além do que jamais concedi.”
“Quando giro em torno de mim mesmo, percorro um caminho infinito, que não leva a lugar algum. Porém, ao distanciar-me de mim mesmo, percebo o caminho para a pessoa que gostaria de ser.”
“Há uma responsabilidade diante de meus atos: sou responsável pelo que faço, digo, decido... Mas há também uma responsabilidade pela maneira como os faço: sou responsável pelo modo como vivo, amo e sofro...”
“O corpo não pode ser construído, mas o mal-estar físico pode ser mitigado. A alma não pode ser consertada, mas o distúrbio psíquico pode ser curado. O espírito não pode ser produzido, mas a dimensão espiritual pode ser despertada.”
“O que é genuíno não pode ser desmoralizado, o que não é mascarado não pode ser desmascarado, o que tem sentido não pode ser questionado.”
“Um corpo estranho penetra na concha, ferindo-a. A areia áspera machuca sua carne.A concha sofre. A concha tenta expelir o intruso e fracassa. O grão de areia fixou-se. A dor não pode ser eliminada. Então o animal, a partir do âmago da sua natureza, busca a força para transformar o sofrimento em triunfo. Do sofrimento e da aflição, da seiva de suas lágrimas, surge, em longos processos de crescimento interior, a pérola.”
Textos retirados do livro “Tudo tem seu sentido”- Coleção Logoterapia
Elisabeth S. Lukas

Pensamento: “Encontrei o significado da minha vida, ajudando os outros a encontrarem o sentido de suas vidas.” (Viktor Emil Frankl)
  
Viktor Frankl (1905-1997)
MEU CREDO PSIQUIÁTRICO
Se a pessoa espiritual não estiver presente atrás da barricada da psicose, embora condenada à impotência expressiva e instrumental, se, portanto, não for verdade que a pessoa espiritual ainda que vulnerável a pertubações seja imune à destruição pelo psico físico, então não valerá a pena ser psiquiatra.
Porque se a pessoa espiritual não for poupada de todo o mal e de toda a decadência do psico físico, se ela, pelo contrário, for afetada e afligida, em nome de quem deveríamos nós então, ser médicos?
Ser psiquiatra só vale a pena enquanto o podemos ser, não "para"o organismo psicofísico, mas em função da pessoa espiritual, a qual, por assim dizer, espera ser libertada por nós do "handicap"psicofísico.
Agora devo, porém, pronunciar ainda o meu segundo CREDO: se não houver o antagonismo noopsíquico facultativo, se não houver, por conseguinte, uma possibilidade de a pessoa espiritual poder se opor à psicose como doença psicofísica, nunca estaremos em condições de proceder a uma psicoterapia (ou mesmo uma Logoterapia) nas psicoses; só enquanto pudermos contar com aquele antagonismo facultativo, só então, podemos também contar com o êxito. Em outras palavras: fundamentalmente, só se o primeiro Credo for verdadeiro, vale a pena ser psiquiatra, e só se o segundo Credo for verdadeiro, estou em condições de ser psiquiatra.
A pessoa espiritual situa-se, essencialmente, além de toda morbidez e mortalidade psicofísicas, se assim não fosse, eu não desejaria ser psiquiatra: não teria sentido. E a pessoa espiritual é, essencialmente, aquela que pode opor-se a toda morbidez psicofísica, e se assim não fosse, eu não poderia ser psiquiatra, por conseguinte, não teria utilidade.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aula do dia 11.04.11

O texto “A Representação do Eu na Vida Cotidiana” de Erving Goffman, faz um estudo profundo sobre o conhecimento que o homem tem de si mesmo. O autor passa do público para o privado, abordando o comportamento humano em sociedade e sua forma de manifestação. Sem sair de seu rigor científico, serve-se de uma linguagem teatral, como estrutura de exposição dos conteúdos e transfere esta, para o cotidiano onde diz: “Quando um indivíduo desempenha um papel, implicitamente solicita de seus observadores que levem a sério a impressão sustentada perante eles. Pede-lhes para acreditarem que o personagem que vêem no momento possui os atributos que aparenta possuir, que o papel que representa terá as consequências implicitamente pretendidas por ele e que, de um modo geral, as coisas são o que parecem ser” (pg.25). Mostrando assim, que o homem em sociedade sempre utiliza formas de representação para se mostrar a seus semelhantes, sendo necessário, o meio se adequar ao indivíduo.
Um dos temas relevantes que Goffman trata ao longo do texto é a fundamental importância de possuir um acordo acerca da definição da situação em uma dada interação para manter a coerência. Ele faz uma citação: “Não é provavelmente um mero acidente histórico que a palavra “pessoa”, em sua acepção primeira, queira dizer máscara. Mas, antes, o reconhecimento do fato de que todo homem está sempre e em todo lugar, mais ou menos conscientemente, representando um papel... É nesses papéis que nos conhecemos uns aos outros; é nesses papéis que nos conhecemos a nós mesmos” (pg.27). Dessa forma, associa o caráter em relação à máscara social, onde cada indivíduo tenta se ajustar ao outro, que na verdade é a sua própria personalidade. Nestas interações, as partes envolvidas, público ou atores simultaneamente; os atores normalmente atuam de forma que se sobrepõe a si mesmos e encorajam os outros, por diversos meios a aceitar tal definição.
Goffmann ressalta que quando a definição aceita da situação é desacreditada, alguns (ou todos) atores podem fingir que nada mudou caso acreditem que isso é lucrativo ou manterá a paz. Ele diz: “Conquanto possamos esperar encontrar uma oscilação natural entre cinismo e sinceridade, ainda assim não devemos excluir o tipo de ponto de transição, que pode ser mantido à custa de um ponto de auto-ilusão” (pg.28). O cinismo é então, uma adequação ao espaço para manter a tranquilidade social; e , Goffman declara que esse tipo de atitude acontece em todos os níveis da organização social, dos mais pobres às elites.
No que diz respeito a representação do eu na vida cotidiana, cujo projeto é captar e explicar as estratégias que as pessoas usam a fim de passar delas próprias, uma autoimagem positiva, mediante recursos verbais e principalmente não-verbais, o autor afirma que grande parte do comportamento cotidiano é semelhante ao de atores no palco, sendo que os indivíduos e os grupos estão constantemente representando uns para os outros.
Veja o vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões!!!!


terça-feira, 5 de abril de 2011

Aula do dia 29.03.11


As Três Ecologias

     Ao registrar as "Três Ecologias" - a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana - (a esta articulação dá se o nome de “ecosofia”)  Guattari manifesta sua indignação perante um mundo que se deteriora lentamente: "O que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre o planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas e do considerável crescimento demográfico. Em virtude do contínuo desenvolvimento do trabalho maquínico, redobrado pela revolução da informática, as forças produtivas vão tornar disponível uma quantidade cada vez maior do tempo de atividade humana potencial. Mas com que finalidade? A do desemprego, da marginalidade opressiva, da solidão, da ociosidade, da angústia, da neurose, ou a da cultura, da criação, da pesquisa, da reinvenção do meio ambiente, do enriquecimento dos modos de vida e de sensibilidade?" Existe a necessidade de rever a estrutura das classes sociais, o estabelecimento e cumprimento de regras universais dos direitos humanos, o reconhecimento da interdependência entre os seres e da complexa teia de relações entre eles.

 
    
     A subjetividade, através de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes agenciamentos sociais e institucionais e, simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais íntimas esferas do indivíduo. A reconquista de um grau de autonomia criativa num campo particular invoca outras reconquistas em outros campos. Assim, toda uma catálise da retomada de confiança da humanidade em si mesma está para ser forjada passo a passo e, às vezes, a partir dos meios os mais minúsculos.
     Independente da camada social em que estão inseridos os indivíduos, precisamos de pessoas destituídas de tanto ego. Precisamos de pessoas que falem de uma forma que todos entendam o que está sendo dito. Esta linguagem precisa ser, vir e falar ao coração, num processo de vir e ir de dentro e para dentro. O fora está subjetivando demais a humanidade como um todo. Precisamos de pessoas que falem a linguagem do coração e que não se sintam donos do conhecimento e nem retêm-os para lhes aumentar o poder. É imprescindível que encontremos enunciados que operem, de forma prática e reconhecida, por toda comunidade científica e a não científica também, como alternativas eficazes na ruptura a significantes. E o afeto e o percepto são modos de apreensão absolutamente complementares, afirma Guattari (1989).
     Acreditamos que, caminhar em busca de uma re-significação de valores e de construção de novas subjetivações, implica em reformular práticas de relacionamento com o próprio corpo, com nossa forma de estar no mundo social e na nossa ecologia mental. A continuar esta agressão que o ser humano sofre quanto aos processos de grupamento humano padronizado, tele guiado por uma mídia acoplada ao sistema econômico devassador da vida, urge que sejamos corajosos para nos olharmos em primeiro lugar e perceber de que forma somos "atravessados" pelas instituições. Outra forma de se dizer isso seria afirmar que as práticas sociais que não logram êxito, devem-se, na maior parte dos casos, às dificuldades dos indivíduos em seus processos pessoais.
     Precisamos, portanto, ampliar nossa capacidade de difundir no campo das ciências e da epistemologia, outras alternativas de desenvolvimento da percepção da singularidade dos seres, não apenas para um avanço concreto na aceitação da biodiversidade, mas para que os potenciais humanos tenham expressividade e sejam libertadores de uma vida mais plena e feliz dos seres. Os indivíduos devem se tornar a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes.

sábado, 26 de março de 2011

Aula do dia: 25.03.2011

Vídeos assistidos em aula:

A História das Coisas: Documentário que mostra como funciona o sistema capitalista de extração, produção,distribuição, consumo e tratamento de lixo. Mostra de maneira muito clara como todo o Sistema se baseia na exploração desde os recursos naturais até as pessoas. Como coisas são criadas para ir para o lixo (intencionalmente, o mais rápido possível). A verdadeira função dos governos e corporações que os apoiam, é criar uma Sociedade de Consumo a um rítmo acelerado.

A Ilha das Flores: Um premiado curta-metragem de 1989, Ilha das Flores é um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.




Baseado-se no documentário e no curta-metragem, faremos uma análise crítica abordando a sustentabilidade.

·       É um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.
·      Compreende as ações das empresas que visam elevar sua produtividade, melhorar seus produtos e métodos de gestão e contribuir para a preservação do meio ambiente.
·      Artifício utilizado por países desenvolvidos para garantir a exclusividade da prerrogativa de evoluir às custas dos recursos do planeta.
·      Quando a capacidade ou um conjunto de atividades de uma organização provêm suas próprias necessidades em todos os sentidos: financeiro, ambiental, etc.
·      Segundo o professor holandês Peter Nijkamp, a sustentabilidadeenvolve três aspectos: atividade economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente correta - o chamado Triângulo da Sustentabilidade.
·      Ter sustantabilidade significa assegurar o sucesso do negócio em longo prazo e contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade, para um ambiente saudável e para uma sociedade estável.

Comentário do grupo:
Entendemos que sustentabilidade é a capacidade que um indivíduo, grupo de indivíduos ou empresas e aglomerados produtivos em geral; têm de manterem-se inseridos num determinado ambiente sem, contudo, impactar violentamente esse meio. Assim, pode-se entender como a capacidade de usar os recursos naturais e, de alguma forma, devolvê-los ao planeta através de práticas ou técnicas desenvolvidas para este fim. Desta forma, pode-se dizer que um empreendimento sustentável, devolve ao meio ambiente todo ou parte dos recursos que processou e garante uma boa qualidade de vida as populações que nele atuam ou que vivam nas imediações ou na área afetada pelo projeto, garantindo assim, uma longa vitalidade e um baixo impacto naquela região durante gerações. Muito além das definições, o ideal de sustentabilidade total, onde toda a influência provocada, por um agrupamento humano ou em empreendimentos; é anulado através dos procedimentos adotados. Mesmo assim, é importante ter em mente que adotar as práticas que transformem nossa presença em determinado lugar o mais sustentável possível é a única saída para determos a degradação ambiental que estamos experimentando nos últimos anos e as graves alterações climáticas que vemos causar grandes desastres em diversas partes do planeta. Para entender o que é sustentabilidade é muito mais conhecer seu significado bonito e orientado para empresas e organizações ligadas ao meio ambiente. É muito importante entender e saber que a adoção de práticas sustentáveis na vida de cada indivíduo é um fator decisivo para possibilitar a sobrevivência da raça humana e a continuidade da disponibilidade dos recursos naturais. Ao atuarmos de forma irresponsável e queimarmos indiscriminadamente nossos recursos naturais, sem dar tempo ao planeta para se recuperar, estamos provocando a escassez de recursos necessários a nossa sobrevivência e dificultando a vida de milhões de pessoas. Um exemplo clássico disso é a falta de água potável que muitas comunidades vêm enfrentando em alguns países e que, se uma forma mais grave de escassez se manifestar, acabará causando guerras pela posse e conquista das fontes de água potável remanescentes. Se todos entendessem a importância da adoção de práticas de sustentabilidade desde muito cedo; todas essas alterações climáticas poderiam ser evitadas ou retardadas ao máximo, e os recursos naturais estariam disponíveis e fartos por muito mais tempo. O que daria tempo para a humanidade buscar formas mais eficientes para resolver esses problemas em longo prazo.Ações aparentemente simples e de pouco impacto, quando tomadas por um grande número de pessoas, tornarão a sustentabilidade uma realidade palpável e real em qualquer parte onde haja a presença humana e garantirá a sobrevivência de nossa espécie por muito mais tempo.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Debate: Psicanálise e Comportamentalismo Aula do dia 21.03.2011

Psicanálise e Comportamentalismo          

Skinner e Freud sem dúvidas são os dois maiores ícones da Psicologia, o primeiro conhecido pela filosofia do Behaviorismo que sustenta a Análise Comportamental, e o segundo, o pai da Psicanálise. Ambos defendem pressupostos teóricos bem antagônicos.
Para Skinner, as causas do comportamento estão sempre no ambiente, aqui não existe mente nem qualquer entidade interna presente no indivíduo - nenhum apelo ao mentalismo se faz necessário para explicar o comportamento; já Freud, construiu sua teoria apoiada em conceitos mentalistas, aqui se faz presente o dinamismo psíquico das pulsões entre as instâncias mentais do indivíduo - consciente, pré-consciente, inconsciente - que irão determinar o comportamento.
É comum dentro da Psicologia, alunos e até mesmo professores, defendendo seus pontos de vista baseado em puro radicalismo. Buscam elementos de um que não tem no outro e criam em torno disso uma série de conflitos que de nada adiantam.
Percebe-se que uma tem a ensinar para a outra e ambas não dão conta de tudo, como nenhuma outra teoria. São representações e não verdades. Atualmente, não se pode pensar no estudo do comportamento humano sem considerar a abordagem científica a este objeto: o campo da psicologia científica. Esse campo é disputado por diversos enfoques teóricos que divergem quanto ao modo como definem ciência e comportamento humano.
A abordagem de B. F. Skinner foi bastante proeminente no século XX, mas ainda continua a ser mal-entendida. Partindo do desenvolvimento histórico de sua obra, percebemos a importância de alguns aspectos relacionados às noções de ciência e comportamento humano desse autor e queremos ressaltar as transformações por que passaram. Analisam-se três tópicos da obra de Skinner: seu período inicial (de 1930 a cerca de 1938), a obra Ciência e Comportamento Humano) de 1953, e as influências da Biologia. São enfatizados aspectos relevantes da sua teorização sobre o tema: busca por relações funcionais, ênfase nos dados empíricos, operacionismo, externalismo, multideterminação do comportamento, experimentalismo, previsão, controle e ética.
A ilustração abaixo é apenas um modo de mostrar um pouco das diferenças entre esses dois pensadores que admiramos muito: