Bem Vindo!

"Este blog nasceu como requisito da matéria de Seminário de Integração I, ministrada pelo professor Felipe Aço. O objetivo do blog é o de levar à público nossas experiências e elaborações em sala de aula, tornando assim, possível a interação e integração dos grupos, aflorando ideias e pontos de vista que muitas vezes não se manifestam em sala de aula".
Somos estudantes do 5º semestre do curso de Psicologia, com faixas etárias distintas. Acreditamos que os nossos caminhos não se cruzaram por acaso. Aprendemos muito uma com a outra e o convívio diário nos leva a uma leitura da realidade, a qual compartilhamos e nos induz a sairmos da zona de conforto, de forma desafiadora, e é nesse momento que também surgem divergências para as quais tentamos encontrar um equilíbrio e colocar em prática a constante aprendizagem integrando de certa forma as nossas vidas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

“TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLAINE”

O trabalho dos colegas nos fez relembrar que o Borderline é um transtorno de personalidade que traz sérias consequências para a pessoa portadora, seus familiares e seus amigos próximos. O termo "fronteiriço" se refere ao limite entre um estado normal e um quase psicótico, assim como às instabilidades de humor. Através da explanação dos colegas percebemos que o tratamento exige paciência, persistência, disciplina e muito boa vontade por parte do terapeuta. Não é uma terapia fácil. O que acontece "na vida real" acontece dentro do consultório: instabilidade, alternância de amor e ódio, idealização e desapontamento com o terapeuta, sedução, impulsividade, etc. Patologicamente podemos dizer que a pessoa portadora de Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora não apresentem deformações de caráter típicas das personalidades sociopáticas. Na realidade, o Borderline tem séria limitação para usufruir as disponibilidades de opção emocional diante dos estímulos do cotidiano e, por causa disso, pequenos estressores são capazes de enfurecê-lo. São indivíduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fúria ou de mau gênio, em completa inadequação ao estímulo desencadeante. Essas crises de fúria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e, habitualmente, tem por alvo pessoas do convívio mais íntimo, como os pais, irmãos, familiares, amigos, namoradas, cônjuges, etc. Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em grande número de situações, ele tropeça escandalosamente em certas situações triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas. Achamos ter sido muito importante relembrarmos o conteúdo referente a este transtorno. Foi um momento de reflexão!
“ESTÁDIO DO ESPELHO DE LACAN”
Percebemos que o trabalho trouxe elementos para facilitar a leitura do “Estádio do Espelho” como formador da “função do EU”, mostrando o fenômeno pelo qual a criança reconhece a sua imagem no espelho, o qual se dá por volta dos seis meses. E é através do movimento que se produz entre a criança e a sua imagem refletida no espelho que se constituirá um EU unificado. Ao retirar o espelho, a criança desaparece, e a imagem virtual, inexistente como realidade, lhe serve como primeira identificação de um “si mesma”. Nesta imagem a criança se aliena, fazendo deste EU a sede do desconhecimento. O EU é efeito de uma imagem, efeito psíquico de uma imagem virtual de si, que “o” produz; uma imagem que vem colocar ordem no caos sensorial. O estágio do espelho foi mostrado como matriz simbólica da constituição do EU, desenhando um primeiro esboço da subjetividade, apesar de ser este, um Eu imaginário, desconhecido. A partir deste momento a criança esquece que é sustentada e olhada pela mãe, para poder se ver por um momento como integrada. A criança experimentará uma tensão frente a imagem que o espelho lhe devolve. Em relação aos pais, passa a ter duas imagens, a do espelho e a deles próprios, mas de si própria só dispõe de uma imagem que é a do espelho. A imagem do corpo no espelho opera como disparador da libido que circula do corpo à imagem, proporcionando uma lenta organização do orgânico. Portanto, conforme mostrado pelos colegas, “Lacan se opõe a todas as teorias tradicionais que concebem o EU como sistema de percepção-consciência e deixa o EU no lugar da alienação e do desconhecido. Lacan não pretende reforçar este EU, consolidá-lo, fortificar a muralha na qual ele fica alienado, mas permitir que o sujeito se depare com seu limite”. Adoramos o trabalho dos colegas que nos levou a “pensar o nosso saber”.

“ATENDIMENTO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS”
A apresentação deste tema despertou grande interesse e conscientizou-nos quanto as posturas e procedimentos em relação a este tipo de deficiência. Percebemos que o grupo tentou desmistificar a questão das “diferenças” dentro do contexto social. Procuramos nos inteirar e buscar algum conhecimento a mais sobre a forma como a sociedade em geral se posiciona, principalmente num contexto empresarial, onde atuam profissionais com este tipo de deficiência. Tentamos analisar e identificar a comunicação entre o paciente surdo e o cliente, pensamos no relacionamento do profissional da saúde e no ambiente de convívio social dos surdos. Na categoria comunicação, com certeza, existem barreiras, mas com o intuito de disponibilidade e paciência, acreditamos ser possível interagir através de gestos, pois estes pacientes passam a ter facilidade de fazerem a leitura labial e entenderem aquilo que está sendo emitido pelas pessoas. Ressaltamos também a necessidade de formação sobre o paciente surdo, pois este certamente encontra inúmeras barreiras para se engajar dentro do contexto determinado como “pessoas normais”. Acreditamos que existe pouco suporte dos órgãos competentes para dar a necessária assistência. Conviver com “diferentes” é o desafio de cada dia, e com “diferentes deficientes” o desafio é maior, pois exige “abertura” e “dedicação”. Nosso propósito é uma maior percepção, a partir deste momento, para com pessoas com esta deficiência.
“ESQUIZOFRENIA”

Optamos por deixar, uma síntese do nosso trabalho!

O QUE É ESQUIZOFRENIA
A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. É uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização de diversos processos mentais, levando o portador a apresentar vários sintomas.

SINTOMAS POSITIVOS
Delírios

SINTOMAS NEGATIVOS
Perda ou diminuição das capacidades mentais, com déficit da
— ideias delirantes, pensamentos irreais, ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo como as perseguições; as alucinações, percepções irreais – ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequente as alucinações auditivo-visuais; pensamento e discurso desorganizados ou invenção de palavras; alterações do comportamento, ansiedade, impulsos ou agressividade. motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais, como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social; apatia; indiferença emocional; pobreza do pensamento, inversão do ciclo de sono, isolamento, perda de interesse por atividades anteriormente agradáveis, apatia, descuido com a higiene pessoal, ideias bizarras, comportamentos poucos habituais, dificuldades escolares e profissionais, entre outras.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico se baseia exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam, em geral, por distorções características do pensamento, da percepção e por inadequação dos afetos. Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade intelectual.

CAUSAS
Não se sabe quais são as causas específicas da esquizofrenia.

ESTATÍSTICA
Sua frequência na população em geral é de 3 para cada 100 pessoas, havendo cerca de 50 novos casos para cada 100.000 habitantes por ano. Considerando a população de 191 milhões existentes no Brasil estima-se que há cerca de 1,6 milhões de esquizofrênicos; e, também, que, a cada ano, 80 mil brasileiros manifestarão a doença pela primeira vez. Ela atinge em igual proporção homens e mulheres e em geral inicia-se mais cedo no homem, por volta dos 20-25 anos de idade, e na mulher, por volta dos 25-30 anos. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos.
As possíveis causas são o ambiente histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; e mais recentemente, tem-se admitido a possibilidade de uso de substâncias psicoativas que podem ser responsáveis pelo desencadeamento de surtos e afloração de quadros psicóticos. A hereditariedade tem uma importância relativa, sabe-se que parentes de primeiro grau de um esquizofrênico têm chance maior de desenvolver a doença do que as pessoas em geral.

TIPOS DE ESQUIZOFRENIA
De acordo com o DSM, existem 5 tipos de Esquizofrenia: 1.Esquizofrenia Paranóide: Predominam sintomas positivos como alucinações e enganos, com uma relativa preservação do funcionamento cognitivo e do afeto.2.Esquizofrenia Desorganizada: Discurso desorganizado e sintomas negativos como comportamento desorganizado e achatamento emocional. Os aspectos associados incluem trejeitos faciais, maneirismos e outras estranhezas do comportamento.3.Esquizofrenia Catatônica: Os principais sintomas são a atividade motora excessiva, extremo negativismo, mutismo, cataplexia (paralisia corporal momentânea), ecolalia (repetição patológica) e ecopraxia (imitação repetitiva dos movimentos de outra pessoa). Existem riscos potenciais de desnutrição, exaustão, hiperpirexia ou ferimentos auto-infligidos. 4.Esquizofrenia Indiferenciada: Se encaixa nos sintomas de esquizofrenia, mas não satisfaz nenhum dos tipos citados anteriormente.5.Esquizofrenia Residual: As condições para este tipo de esquizofrenia são: ausência de delírios, alucinações e comportamento amplamente desorganizado ou catatônico proeminentes; existência de evidências contínuas da perturbação.

CUIDADOS ESPECIAIS
1.Se achar que a medicação não está a ajudar ou sentir efeitos não desejáveis deve avisar o seu médico psiquiatra;
2.Fazer psicoterapia e ter consultas regulares com seu psicólogo;
3.Ter o cuidado de conservar um ritmo de
sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias;
4.Evitar o
stress;
5.Deve manter rotinas normais de higiene, alimentação, atividades físicas e de lazer;
6.Evitar substâncias psicoativas que possam interferir prejudicialmente no tratamento - como álcool e outras drogas;
7.Procurar ter horas para dormir, comer, trabalhar - ou seja, criar rotinas;
8.Permanecer em contato com as outras pessoas, não buscar o isolamento;
9.Manter o contato com o
psiquiatra, psicólogo e a equipe de saúde mental;
10.Praticar desporto pelo menos uma vez por semana.

TEORIAS
A Teoria
As Teorias
As Teorias Psicanalíticas (ou de relação precoce) têm como base a teoria
As Teorias Familiares, assim como a abordagem psicanalítica, outras abordagens responsabilizam a família, mas apesar de terem bastante impacto histórico tiveram pouco embasamento empírico para essas afirmações.
A Teoria dos Neurotransmissores têm-se um excesso de dopamina na via mesolímbica e falta dopamina na via mesocortical.
Genética admite que genes “podem” estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o desencadear do transtorno.Neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial com uma disfunção dopaminérgica, embora alterações noutros neurotransmissores estejam também envolvidas.freudiana da psicanálise, e remetem para a fase oral do desenvolvimento psicológico.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
De maneira geral o tratamento é realizado em consultório. Internação hospitalar pode ser necessária em situações em que há presença de riscos (agressão, suicídio, exposição moral). O tratamento é feito com medicação antipsicótica e psicoterapia.

ALGUNS BENEFÍCIOS DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
1. Elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo.
2. Elimina as crenças estranhas e falsas (delírios).
3. Diminui a tensão e agitação.
4. Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor.
5. Reduz os medos, a confusão e a insônia.
6. Ajuda a falar de forma coerente.
7. Ajuda a sentir-se mais feliz, mais expansivo e mais sadio.
8. Ajuda a se comportar de forma mais apropriada.
9. Os pensamentos hostis, estranhos ou agressivos desaparecem.
10.Diminuem recidivas e necessidade de internação hospitalar.

A ESQUIZOFRENIA NO CINEMA
Encontramos sete filmes que ilustram e possibilitam discussões sobre a esquizofrenia: Estamira; Uma mente Brilhante; Visões de um crime; Spider, desafie sua mente; Benny & Joon, Corações em Conflito; Jornada da Alma e Cisne Negro, no qual nos detemos, tendo em vista que é o mais recente.

CONCLUSÃO
Portanto, conviver com um portador de esquizofrenia é “uma surpresa a cada dia”, o que exige adaptação e encontrar “maneiras” de orientar, interagir e conduzir, preservando o contato com a realidade, restaurando a capacidade do cuidado de si, diminuindo o isolamento, aumentando suas defesas diante de situações estressantes, estimulando a independência e a capacidade do paciente diante das atividades diárias. Enfim, recuperando e promovendo a auto-estima, a auto-imagem e a autoconfiança, proporcionando enfim, contínuo progresso.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Aula do dia 02.05.11

O QUE É LOGOTERAPIA?

É um sistema teórico e prático de psicologia, criado pelo médico vienense Viktor Emil Frankl (1905-1997). Segundo Allport, "trata-se do movimento mais importante de nossos dias". A Logoterapia - Análise Existencial é conhecida como a terceira Escola Vienense de Psicoterapia, sendo a Psicanálise Freudiana, a primeira, e a Psicologia Individual de Adler, a segunda. É uma linha existencial- humanística e busca, a partir de sua antropologia, superar o psicologismo reducionista de outras linhas. "Para a Logoterapia, a busca do sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano. A Logoterapia é considerada e desenhada como uma terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido. Não pretende suplantar a psicoterapia vigente, mas complementá-la e completar também o conceito de ser humano mais indispensável às ciências do homem do que o método e técnicas corretos". A Logoterapia busca "restituir a imagem do homem superando reducionismos. Faz uma proposta que não se limita à Psicologia, mas abrange todas as áreas da atividade humana, e busca resgatar aquilo que é especificamente humano na pessoa".

TEXTO REFLEXIVO SOBRE LOGOTERAPIA

“Até que ponto sou livre?” pergunta o homem ao seu Criador.
“Não posso despojar-me do meu corpo, não posso renegar minhas origens, não posso fugir do meu ambiente, não posso escapar do meu tempo.”
“Tu não és livre de tuas condições, responde Ele, porém, tu és livre para te posicionares diante de teus condicionamentos, e isto é muito além do que jamais concedi.”
“Quando giro em torno de mim mesmo, percorro um caminho infinito, que não leva a lugar algum. Porém, ao distanciar-me de mim mesmo, percebo o caminho para a pessoa que gostaria de ser.”
“Há uma responsabilidade diante de meus atos: sou responsável pelo que faço, digo, decido... Mas há também uma responsabilidade pela maneira como os faço: sou responsável pelo modo como vivo, amo e sofro...”
“O corpo não pode ser construído, mas o mal-estar físico pode ser mitigado. A alma não pode ser consertada, mas o distúrbio psíquico pode ser curado. O espírito não pode ser produzido, mas a dimensão espiritual pode ser despertada.”
“O que é genuíno não pode ser desmoralizado, o que não é mascarado não pode ser desmascarado, o que tem sentido não pode ser questionado.”
“Um corpo estranho penetra na concha, ferindo-a. A areia áspera machuca sua carne.A concha sofre. A concha tenta expelir o intruso e fracassa. O grão de areia fixou-se. A dor não pode ser eliminada. Então o animal, a partir do âmago da sua natureza, busca a força para transformar o sofrimento em triunfo. Do sofrimento e da aflição, da seiva de suas lágrimas, surge, em longos processos de crescimento interior, a pérola.”
Textos retirados do livro “Tudo tem seu sentido”- Coleção Logoterapia
Elisabeth S. Lukas

Pensamento: “Encontrei o significado da minha vida, ajudando os outros a encontrarem o sentido de suas vidas.” (Viktor Emil Frankl)
  
Viktor Frankl (1905-1997)
MEU CREDO PSIQUIÁTRICO
Se a pessoa espiritual não estiver presente atrás da barricada da psicose, embora condenada à impotência expressiva e instrumental, se, portanto, não for verdade que a pessoa espiritual ainda que vulnerável a pertubações seja imune à destruição pelo psico físico, então não valerá a pena ser psiquiatra.
Porque se a pessoa espiritual não for poupada de todo o mal e de toda a decadência do psico físico, se ela, pelo contrário, for afetada e afligida, em nome de quem deveríamos nós então, ser médicos?
Ser psiquiatra só vale a pena enquanto o podemos ser, não "para"o organismo psicofísico, mas em função da pessoa espiritual, a qual, por assim dizer, espera ser libertada por nós do "handicap"psicofísico.
Agora devo, porém, pronunciar ainda o meu segundo CREDO: se não houver o antagonismo noopsíquico facultativo, se não houver, por conseguinte, uma possibilidade de a pessoa espiritual poder se opor à psicose como doença psicofísica, nunca estaremos em condições de proceder a uma psicoterapia (ou mesmo uma Logoterapia) nas psicoses; só enquanto pudermos contar com aquele antagonismo facultativo, só então, podemos também contar com o êxito. Em outras palavras: fundamentalmente, só se o primeiro Credo for verdadeiro, vale a pena ser psiquiatra, e só se o segundo Credo for verdadeiro, estou em condições de ser psiquiatra.
A pessoa espiritual situa-se, essencialmente, além de toda morbidez e mortalidade psicofísicas, se assim não fosse, eu não desejaria ser psiquiatra: não teria sentido. E a pessoa espiritual é, essencialmente, aquela que pode opor-se a toda morbidez psicofísica, e se assim não fosse, eu não poderia ser psiquiatra, por conseguinte, não teria utilidade.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aula do dia 11.04.11

O texto “A Representação do Eu na Vida Cotidiana” de Erving Goffman, faz um estudo profundo sobre o conhecimento que o homem tem de si mesmo. O autor passa do público para o privado, abordando o comportamento humano em sociedade e sua forma de manifestação. Sem sair de seu rigor científico, serve-se de uma linguagem teatral, como estrutura de exposição dos conteúdos e transfere esta, para o cotidiano onde diz: “Quando um indivíduo desempenha um papel, implicitamente solicita de seus observadores que levem a sério a impressão sustentada perante eles. Pede-lhes para acreditarem que o personagem que vêem no momento possui os atributos que aparenta possuir, que o papel que representa terá as consequências implicitamente pretendidas por ele e que, de um modo geral, as coisas são o que parecem ser” (pg.25). Mostrando assim, que o homem em sociedade sempre utiliza formas de representação para se mostrar a seus semelhantes, sendo necessário, o meio se adequar ao indivíduo.
Um dos temas relevantes que Goffman trata ao longo do texto é a fundamental importância de possuir um acordo acerca da definição da situação em uma dada interação para manter a coerência. Ele faz uma citação: “Não é provavelmente um mero acidente histórico que a palavra “pessoa”, em sua acepção primeira, queira dizer máscara. Mas, antes, o reconhecimento do fato de que todo homem está sempre e em todo lugar, mais ou menos conscientemente, representando um papel... É nesses papéis que nos conhecemos uns aos outros; é nesses papéis que nos conhecemos a nós mesmos” (pg.27). Dessa forma, associa o caráter em relação à máscara social, onde cada indivíduo tenta se ajustar ao outro, que na verdade é a sua própria personalidade. Nestas interações, as partes envolvidas, público ou atores simultaneamente; os atores normalmente atuam de forma que se sobrepõe a si mesmos e encorajam os outros, por diversos meios a aceitar tal definição.
Goffmann ressalta que quando a definição aceita da situação é desacreditada, alguns (ou todos) atores podem fingir que nada mudou caso acreditem que isso é lucrativo ou manterá a paz. Ele diz: “Conquanto possamos esperar encontrar uma oscilação natural entre cinismo e sinceridade, ainda assim não devemos excluir o tipo de ponto de transição, que pode ser mantido à custa de um ponto de auto-ilusão” (pg.28). O cinismo é então, uma adequação ao espaço para manter a tranquilidade social; e , Goffman declara que esse tipo de atitude acontece em todos os níveis da organização social, dos mais pobres às elites.
No que diz respeito a representação do eu na vida cotidiana, cujo projeto é captar e explicar as estratégias que as pessoas usam a fim de passar delas próprias, uma autoimagem positiva, mediante recursos verbais e principalmente não-verbais, o autor afirma que grande parte do comportamento cotidiano é semelhante ao de atores no palco, sendo que os indivíduos e os grupos estão constantemente representando uns para os outros.
Veja o vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões!!!!


terça-feira, 5 de abril de 2011

Aula do dia 29.03.11


As Três Ecologias

     Ao registrar as "Três Ecologias" - a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana - (a esta articulação dá se o nome de “ecosofia”)  Guattari manifesta sua indignação perante um mundo que se deteriora lentamente: "O que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre o planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas e do considerável crescimento demográfico. Em virtude do contínuo desenvolvimento do trabalho maquínico, redobrado pela revolução da informática, as forças produtivas vão tornar disponível uma quantidade cada vez maior do tempo de atividade humana potencial. Mas com que finalidade? A do desemprego, da marginalidade opressiva, da solidão, da ociosidade, da angústia, da neurose, ou a da cultura, da criação, da pesquisa, da reinvenção do meio ambiente, do enriquecimento dos modos de vida e de sensibilidade?" Existe a necessidade de rever a estrutura das classes sociais, o estabelecimento e cumprimento de regras universais dos direitos humanos, o reconhecimento da interdependência entre os seres e da complexa teia de relações entre eles.

 
    
     A subjetividade, através de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes agenciamentos sociais e institucionais e, simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais íntimas esferas do indivíduo. A reconquista de um grau de autonomia criativa num campo particular invoca outras reconquistas em outros campos. Assim, toda uma catálise da retomada de confiança da humanidade em si mesma está para ser forjada passo a passo e, às vezes, a partir dos meios os mais minúsculos.
     Independente da camada social em que estão inseridos os indivíduos, precisamos de pessoas destituídas de tanto ego. Precisamos de pessoas que falem de uma forma que todos entendam o que está sendo dito. Esta linguagem precisa ser, vir e falar ao coração, num processo de vir e ir de dentro e para dentro. O fora está subjetivando demais a humanidade como um todo. Precisamos de pessoas que falem a linguagem do coração e que não se sintam donos do conhecimento e nem retêm-os para lhes aumentar o poder. É imprescindível que encontremos enunciados que operem, de forma prática e reconhecida, por toda comunidade científica e a não científica também, como alternativas eficazes na ruptura a significantes. E o afeto e o percepto são modos de apreensão absolutamente complementares, afirma Guattari (1989).
     Acreditamos que, caminhar em busca de uma re-significação de valores e de construção de novas subjetivações, implica em reformular práticas de relacionamento com o próprio corpo, com nossa forma de estar no mundo social e na nossa ecologia mental. A continuar esta agressão que o ser humano sofre quanto aos processos de grupamento humano padronizado, tele guiado por uma mídia acoplada ao sistema econômico devassador da vida, urge que sejamos corajosos para nos olharmos em primeiro lugar e perceber de que forma somos "atravessados" pelas instituições. Outra forma de se dizer isso seria afirmar que as práticas sociais que não logram êxito, devem-se, na maior parte dos casos, às dificuldades dos indivíduos em seus processos pessoais.
     Precisamos, portanto, ampliar nossa capacidade de difundir no campo das ciências e da epistemologia, outras alternativas de desenvolvimento da percepção da singularidade dos seres, não apenas para um avanço concreto na aceitação da biodiversidade, mas para que os potenciais humanos tenham expressividade e sejam libertadores de uma vida mais plena e feliz dos seres. Os indivíduos devem se tornar a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes.